mercredi 30 avril 2008

Pescando gente

Ontem foi uma noite bem interessante. Estava voltando do trabalho com a cabeça cheia de idéias, cansado, tinha tido aula de inglês e quase era possível dizer, hi, como estás? oui, very good! Mierda! Alias não sei se estudar três idiomas ao mesmo tempo é bom pra a preservação da sanidade humana. Enfim.
Minutos antes de ir embora, uma tempestade caiu e o resto vcs já podem prever, a cidade de São Paulo virou um pleno caos. Sentei confortavelmente no banco da van que vai pra São Bernardo e ainda pensando no início do blog, minha cabeça fervilhava de idéias e aquilo me fazia muito bem. O fato de começar a pensar sobre o que eu iria escrever hoje me deixava muito excitado. Pensei, pensei, fodeu. Me irritei. Desisti.
Nessas horas a magiquinha incrível da vida aciona o play. Estava eu sentado quando uma amiga me perguntou se um tal churrasco que eu tinha convidado a galera de fato iria rolar. Com certeza iria rolar porém ela me disse que não iria pois tinha terapia. Muito engraçado quando o motorista da van lhe perguntou qual era a real intenção ou problema que a levava a passar num terapeuta! Caralho meu, isso é pergunta que se faça? Lóooogico que é! E com jeitinho ela começou a soltar e falar, falar, falar até quando de repente estávamos debatendo sobre o que fatos externos faziam da nossa vida um verdadeiro inferno.
Ela tinha sido traída e com quase quarenta anos nunca mais conseguira se apaixonar por outra pessoa. Era o seu discurso, everyday!
Sabe, falando com ela sobre esse assunto, senti tanta confusão em sua mente e que um leve nó na garganta vinha e desaparecia. Como é difícil estar dentro de mós mesmos pra nos avaliarmos. Parece ser tão fácil quando vemos uma situação de fora, tudo parece tão mais fácil...
Eu queria dizer à ela, esquece tudo, a vida é uma só, vc está perdendo tempo nessa sua curta vida, curta-a! Pois chegará um momento em que a falta de saúde não lhe permitirá mais nem tentar. Enfim, se conselho fosse bom, ninguem precisava morrer a míngua. Ou então abrir um blog pra descarregar. Final das contas, os três falaram das maiores decepções de vossas vidas e no fim, ficou muito claro perceber que o que realmente devemos fazer é gostar de nós mesmos e deixar pra lá se os outros não estão nem aí pra sua fidelidade, pro seu amor, pros seus anseios de ter alguém e acreditar que este não vai sair por aí fodendo com todo mundo e mentindo pra gente. Ou seja, eu nas condições que venho observando, dificilmente existe. Mas eu sou um cara muito esperançoso. Muito mesmo. Então eu tento e insistentemente eu me rasgo e me destruo porque ainda acredito.
Após esse papo eu adormeci e a tormenta ainda caía do lado de fora. Shhhhhhhhhhss, algo derrapa do lado da van que estava parada no pedágio. Era uma "motogirl". Ódio ou não eu senti dó, tanto dela quanto do motorista que teve sua lanterna furada pelo guidon. Mais uma vez eu e o sr. motorista iniciávamos mais um papo sobre "c'est la vie" e "life is a bitch". Sorte ou azar, ser ou não ser, por que as coisas são assim ou assadas, pobres de nós ó pai do céu, tirai-nos destes caminhos "triplamente duplicados" e que somos obrigados a escolher todos os dias. Minha tatuagem inclusive será sobre uma teoria filosófica sobre a bipolaridade dos caminhos e apenas uma verdade, mas essa é outra estória.
Ao chegar em casa, meu corpo pedia uma cama, ao menos 10 minutinhos. Pum! Foi o suficiente pra eu me descolar do corpo e me ver praticamente sendo esganado em minha própria cama. Loucura? Pode ser, mas antes pergunte ao Wagner Borges sobre "experiências fora do corpo" (http://www.ippb.org.br/), ele me iniciou, agora eu sei que coisas tipo além vida acontecem e que inclusive preciso visitar Janis em algumas dessas minhas viagens fantásticas. Voltando ao quarto macabro, eu acordei muito, mas muito assustado. Peguei o carro e fui ao dentista, ela não me esperou. Atrasado? Não, não estava. Sei lá o que anda acontecendo. Sinais do apocalipse pra mim? Que ótimo!
Voltei pra casa e fechei minha noite ouvindo "causos" sobre Baruch Spinoza. Fantástico. Esse cara copiou exatamente o mesmo texto que postei sobre a insustentabilidade da felicidade. Eu adoro essas coisas, o cara viveu mais ou menos em meados de 1670 e mesmo naquela época tinha gente que falava sobre o homens que colocam prefixos pra designar coisas a que não conhecem. Como Mortal, nós sabemos o que significa, porém Imortal não, talvez pque nunca tenha sido vivida. As coisas que são vivemos, não damos um nome à ela. Exato!
E o que não conhecemos a fundo, botamos por exemplo, "i" diante da palavra, ora "in", enfim. Foda-se, não vou explicar mais uma vez. (Eu sei, devo ter me perdido).
Ele, Spinoza e eu sabemos que quando "in" voluímos, é neste momento que realmente estamos "e" voluindo. E que, quando dizia ontem sobre insatisfação gerar desejo, ele também me copiou, escreveu diferente mas copiou! Desgramado!
Isso tem o mesmo sentido pra nós dois! Porra! Será que eu fui Spinoza?
E por que não? Quem sabe uma versão mais aprimorada de um louco e solitário sem nada pra fazer véspera de um mega feriado e só na empresa? Palmas pra ele minha gente...
Bom, beleza. As vezes eu falo demais, deve ser por isso que ninguem me leva a sério.
Ao navegante, eu fico por aqui. Que a viagem continue a seguir bem pra vc. Estarei aqui se precisar, ao menos em espírito.
E trazendo mais de onde venho, só pra te agregar.
Espero.

1 commentaire:

Cláudio Lasas a dit…

adorei o texto, tem pensamentos profundos. dignos de um filósofo, hehe.